Por quê Selos Virtuais (Netlabels)?
Netlabel – ou online label, web label ou mesmo digi label – é um modelo de distribuição de arte digital em ascensão, adotado amplamente no meio da produção musical, mas não restrito a esse nicho. No Brasil, algumas netlabels surgiram com propostas interessantes, e obtiveram seu reconhecimento por meio de vários releases lançados. Surgiram como conceito, a nível mundial, no início dos anos 90, mas tiveram o seu “boom” a partir de 2004.
Basicamente, o selo virtual propõe-se em distribuir música de forma livre, sob termos que protegem a autoria, mas permitem o uso das obras musicais sem ônus. Essa característca lhe confere um estado de questionamento sobre o modelo tradicional de mercado fonográfico.
O selo virtual parte do princípio de livre distribuição, mas há casos de netlabels que lançam seus releases para distribuidores e sites de vendas. Tudo depende do foco e, principalmente, do alvo de mercado que se queira atingir. Diante da proposta, pergunto: Por quê promover via netlabel? Percebo algumas respostas:
- Divulgação coletiva: No site do netlabel, usuários cadastrados poderão obter uma cópia das faixas em MP3 e utilizá-lo livremente, respeitando a autoria do material. Dessa forma, há um estimulo para o cadastro e compartilhamento, e um primeiro retorno de participação. O uso das redes sociais contribui para maximizar tal divulgação.
- Modelo em ascensão: Os selos virtuais são um fenômeno mundial, e uma tendência adotada até mesmo por produtores famosos e gravadoras, para agrupar os artistas em determinados gêneros.
- Suporte de mídia e presença: O netlabel constitui-se um suporte musical de alto valor, assim como já foram os vinís, fitas e cds.
- Logística rápida e descomplicada: Descarta muitos processos do mercado tradicional, pode ter uma estrutura enxuta e exige poucos recursos para ser administrado. Ou seja, é um modelo de investimento baixo e ganho significativo de tempo.
- Espaço e oportunidade: O selo virtual pode representar a porta de entrada para muitos. Mas, atenta-se também pela qualidade do material oferecido.
- Novos mercados: Selos virtuais podem atuar também no mercado internacional e distribuir seus releases a lojas que forneçam vendas a outros países. Abre-se o leque de oportunidades para um trabalho romper fronteiras.
- Geração de negócios: Download gratuito também pode significar geração de negócios. Você disponibiliza uma música em MP3 e um comprador pode optar por baixar o arquivo WAV, talvez para realizar algum trabalho sobre a sua obra. Nos sites de vendas, existe essa opção. E as oportunidades podem ir muito além.
Cenário
A industria musical é dividida em várias modalidades de negócio, de abrangência local ou mundial. No modelo tradicional, produtores e gravadoras administram, recebem e distribuem direitos autorais para os artistas associados, pela reprodução ou armazenamento de suas músicas. Orgãos reguladores e associações fazem o controle do que é reproduzido em rádios, programas de TV e eventos públicos.
Porém, o “mundo da música” foi reinventado. Graças aos avanços da tecnologia e à disponibilização de novos meios de distribuição – com o amplo acesso à internet e o crescimento de vários serviços – o consumo do produto musical mudou radicalmente. A indústria fonográfica encolheu nas últimas décadas, e o meio físico deu lugar ao download.
Nesse contexto, o espaço para produções independentes teve o seu crescimento. Existe o conceito de que a música gravada, por sí, é um poderoso instrumento de divulgação e, portanto, deve circular de forma livre. Há ainda o fato de que os custos de produção e sharing diminuiram consideravelmente, uma vez que não é necessário imprimir mídias para levar o trabalho ao mercado.
Selo fonográfico é uma subdivisão, um rótulo, pelo qual as gravadoras lançam seus artistas. Apesar do conceito distindo, o netlabel possui algumas características similares à gravadoras e selos tradicionais. Nas duas vertentes: gravam, produzem, publicam, distribuem e disponibilizam – para o comércio físico, para download direto, comunidade virtual, ou mesmo comércio em sites como iTunes, Napster, Juno Downloads, Beatport, DJ Download ou Hard to Find.
Estamos falando da distribuição legal, pois tanto o download como a venda física esbarram na questão da pirataria. No meio dessa discussão tão ampla e recheada de pontos de vista, o netlabel abre caminho para o compartilhamento digital legal, sob proteção de direitos e autorização da reprodução pública do material sonoro.
0House e o prazer da música no cérebro

Sentir prazer ao ouvir sua música favorita, ao estudar obras de arte, ou mesmo ao comer e ter relações sexuais, está ligado à liberação de dopamina no cérebro, um neurocondutor capaz de avaliar ou recompensar prazeres específicos, e ampliar os reflexos motivacionais.
Cientistas estudaram, por meio de exames de imagem, as áreas da mente humana nas quais a dopamina se intensifica, nos momentos de lazer musical. Este estudo foi realizado pela Universidade McGill, no Canadá, e publicado pela Nature Neuroscience, em 2010.
O estudo ajuda a entender o valor da música nas mais diversas culturas, e ainda, explica como um prazer sensorial pode ser tão eficaz em várias circunstâncias, despertando interesses por produtos, estímulos emocionais e até a indução de estados de humor.
Quer saber mais sobre este estudo? Acesse os links abaixo:
Revista Veja – Janeiro de 2011
Nature Neuroscience – Outubro de 2010
Resolvi escrever sobre o fato depois de ver o texto no site Ciência Hoje. Tal explicação serve para várias experimentações de prazer, e chamaram a atenção dos pesquisadores em situações extremas, como aquelas nas quais sentimos um certo “arrepio” no corpo.
Adorei a ideia de trazer esta constatação para a vivência na House Music. Afinal, com tantos desdobramentos e subvertentes, “aquela música da Warehouse” saiu de uma garagem e conquistou o mundo por permitir várias adições e influências, atuais ou não, a partir de batidas quaternárias simples e misturas de sons eletrônicos, melodias e porções de vozes.
O pulso, a expressão, a abstração dos sons sintetizados e a expectativa pela próxima virada talvez expliquem a minha paixão por este estilo tão rico e diferenciado. Apenas pense no quanto curtir a música eletrônica de pista pode levá-lo a tais sensações de prazer, ou mesmo marcar bons momentos na memória.
O DJ angolano Vado Mix, em entrevista ao site Sapo Angola, definiu bem o prazer que sente ao tocar House Music. “Eu amo fazer isso, o house também porque sem sombra de dúvidas o house é o estilo musical que me faz viajar no tempo sem pagar nada, é um prazer enorme tocar house music”, diz Vado Mix.
0Pump Up The Volume: Vale a pena rever
Um documentário riquíssimo. “Pump Up The Volume” é essencial para quem gosta de música, em especial, a música de pista. A série mostra como a House Music nasceu, originado da Disco, no começo dos anos 1980, em Chicago e Nova Iorque, e o seu desenvolvimento na Inglaterra, além das mudanças culturais e sociais desencadeadas no país. Os programas foram exibidos em 2001 no Reino Unido pelo Channel 4.
Editei uma lista de reprodução no YouTube, com todas as partes do documentário. Clique aqui para ver e navegar.
0Paulo Anhaia: Respeito, dedicação e investimento
Sigo em busca de aprimorar meus conhecimentos. E por ser assim, sigo vários nomes interessantes na cena eletrônica. Um deles acabo de conhecer ao assistir o canal de vídeos no YouTube. O produtor musical Paulo Anhaia compartilha um pouco de sua vivência no vídeo que você confere abaixo.
Alguns detalhes chamaram minha atenção: simplicidade, respeito, dedicação, trabalho, postura profissional e empenho em aperfeiçoar (praticamente tudo o que Anhaia diz). Pontos pertinentes na vida e na carreira de qualquer profissional, seja ele da área que for, não somente musical.
O mês de maio* está no fim. É meu primeiro mês dedicado a treino, seleção musical e montagem de set. Vejo hoje um despertar por outras demandas, das quais preciso desenvolver melhor. É isso galera.
* Este texto foi escrito em maio/2011.
0Jogo finito X Jogo infinito
Após ler o livro Relógio do Longo Agora, de Stewart Brand, tirei algumas conclusões sobre tudo o que fiz e o que deixei de fazer desde a minha formatura em Comunicação Social no ano de 2003. E esta data, diga-se, representa um marco para minha vida. A partir deste período aconteceram várias situações, decisões, alegrias, tristezas, vitórias, derrotas, investimentos, retornos, despesas e perdas.
Regia minhas ações sob o intuito de fazer algo e ter o retorno em médio ou curto prazo. O tempo encarregou-se de ensinar sobre paciência, perseverança, esperança e realização. O livro de Brand, leitura altamente recomendada em nossos dias, veio de encontro a todas as minhas expectativas. Principalmente no último capítulo, no qual confronta dois paradigmas interessantes.
Olhamos para nosso cotidiano sob os modelos lançados pelo autor: Jogo Finito versus Jogo Infinito. O primeiro fala a respeito de vencedores e perdedores, competição, sobrevivência e disputas decisivas em curto prazo. O segundo trata de continuidade, de compartilhamento, aprimoramento, consenso, causas e efeitos em longo prazo.
Jogo finito
- O propósito é vencer
- O aprimoramento se dá pela sobrevivência dos mais fortes
- Os vencedores excluem os perdedores
- Os vencedores ficam com tudo
- Objetivos são idênticos
- Simplicidade relativa
- As regras são estabelecidas de antemão
- As regras parecem concursos de debates
- Competir por mercados maduros
- Disputas de curto prazo decisivas
Jogo Infinito
- O objetivo é aprimorar o jogo
- O aprimoramento se dá pela elaboração do jogo
- Os vencedores ensinam melhores jogadas aos perdedores
- As vitórias são amplamente compartilhadas
- Os objetivos são variados
- Complexidade relativa
- As regras mudam por consenso
- As regras parecem com uma gramática de nossas primeiras palavras
- Criar novos mercados
- Longo prazo
(apud Mastering the Infinite Game, de Charles Hampden-Turner e Fons Trompenaars, 01997)
A comparação nos leva a pensar sobre a relevância de nossas tarefas. Qual o legado vamos deixar por meio de nossas ações? O que esperar? Qual a expectativa de nossos próximos? Qual a nossa relação com o mundo que nos cerca?
Se você ler o livro de Brand vai perceber tal relação e olhar os problemas da humanidade sob a ótica do tempo e da responsabilidade. Eu explico de forma simples: jogamos lixo na rua e pensamos automaticamente que ele vai sumir, nos esquecemos de como a matéria demora a se decompor e acabamos por poluir o ambiente. Ação de um. Imagine sendo de muitos, em um período longo de tempo!
O “agora”, para muitos, representa o hoje, o imediato. Porém, uma ação feita neste “agora” pode resultar em grandes conquistas do amanhã. Depois de aprender isto, coloquei uma dose de calma em meu coração e esqueci-me de ter pressa. Quero concentrar na tarefa de hoje com o foco no longo agora. Aprimorar, compartilhar, aprender a cada dia algo novo. Fazer o jogo infinito. Pense nisto!
0Organizar tudo
Durante um bom tempo, colecionei e organizei músicas como um simples apreciador. E desde que resolvi organizar tudo, adotei métodos que ainda me servem quando o assunto é a pesquisa musical. Desde que me tornei DJ, vim aprimorando estes métodos ao mesmo tempo em que atuava em outras frentes de trabalho.
Este é o primeiro post do meu blog, e quero dedicá-lo ao meu “jeitão” de fazer as coisas. O mês de maio marca para mim um recomeço, por ser o período no qual venho me dedicando mais a atividade.
Certa vez, li um texto de Mike Murdock, que ensinou o seguinte: “faça o simples, e o extraordinário acontecerá”. Organizar é simples. Se você tem a informação, pode utilizá-la de maneira inteligente, a seu favor, e isso faz com que você ganhe tempo.
Sobre o meu “jeitão” de lidar com a coletânea musical, optei pelo simples. E vejo que isto me auxilia nas decisões posteriores. Organizar nomes, pastas, gêneros, classificar com estrelas, abstrair o máximo de informação e “gastar” um tempinho com todas essas tarefas traz um retorno muito bom.
Dicas simples, mas que podem ser valiosas. Optei por seguir este caminho.
0
